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Métricas de OOH no Brasil: o que conta como um impacto

Foto do escritor: Bruno Campos de Oliveira
Bruno Campos de Oliveira
29 de set.
11 min de leitura

Em reunião de planejamento, o slide de mídia exterior quase sempre traz uma linha de impactos e uma linha de impressões, e a pergunta que resolveria a conversa raramente é feita: as duas contam a mesma pessoa?

Não contam. Em mídia exterior, cada palavra da coluna corresponde a um degrau diferente da contagem, e a distância entre o primeiro degrau e o último é grande o bastante para mudar a decisão de verba.

O mercado brasileiro escreveu essa régua duas vezes, em 2025 e em 2026, e quase ninguém leva os dois documentos para dentro do plano.

Impacto e impressão não são sinônimos em OOH

Quem compra mídia digital chega ao Out of Home com um vocabulário pronto. Impressão, no leilão, é uma chamada de anúncio entregue a um dispositivo identificável. Em tela de rua, de elevador, de corredor de supermercado ou de aeroporto não existe dispositivo do outro lado. Existe gente passando.

Isso obriga a contagem a andar por etapas. Primeiro se conta quanta gente passou. Depois, quanta dessa gente estava em posição de ver. Depois, quanta provavelmente olhou. Cada etapa tem nome próprio, e o nome muda o número.

Quando duas propostas chegam com a palavra impacto na mesma coluna, mas uma delas está medindo o primeiro degrau e a outra o terceiro, a comparação entre elas não existe. É por isso que a nomenclatura, aqui, não é detalhe de rodapé.

O Guia ABA de Métricas de OOH deu nome a cada degrau da contagem

A referência brasileira mais completa sobre isso é o Guia ABA de Métricas de OOH, produzido pela ABA, Associação Brasileira de Anunciantes, com o MapaOOH, e lançado em 7 de maio de 2025. O documento é público e está assinado por Sandra Martinelli, CEO da ABA, por Marco Frade, diretor-executivo do MapaOOH, e por Gabriela Chiliani, gerente de mídia do Itaú e presidente do Comitê de Mídia da ABA. Tem apoio da ABOOH e da Central de Outdoor.

O guia define cada termo com uma frase fechada, e é isso que o torna utilizável numa mesa de negociação. Sobre o primeiro degrau, ele escreve que "o OTS contabiliza todas as pessoas que poderiam ter potencialmente enxergado o anúncio dentro de um Display Exposure Zone". Sobre o ajuste seguinte, que "o LTS ajusta essa métrica considerando dados de probabilidade real, aplicando-se estudos de rastreamento ocular".

Entre os dois extremos, o guia separa o que está disponível do que foi de fato visto. "Conta-se como impressões visíveis todas aquelas que estão disponíveis para serem visualizadas por um indivíduo em sua jornada", e "conta-se como Impressões Vistas (ou Impactos) aqueles que possuem o anúncio em seu campo de visão por ao menos 1 segundo". Esse um segundo é o critério que separa as duas linhas do seu slide.

Tabela 1. Termos de audiência de OOH definidos no Guia ABA de Métricas de OOH. Escopo: Brasil. Fonte: ABA e MapaOOH, "Guia ABA de Métricas de OOH", lançado em 07/05/2025, consultado em 29/09/2026. A terceira coluna é leitura minha sobre o uso em plano de mídia, não classificação publicada pelo guia.

Termo

Definição publicada

O que ele responde no plano

Tráfego total, ou audiência bruta

"Inclui todas os indivíduos vistos pelo sensor, estejam eles olhando para o anúncio ou de costas para ele"

Fluxo do ponto. Dimensiona o local, não a campanha

Tráfego único, ou audiência líquida

"Exclui os indivíduos vistos pelo sensor que estejam dentro do Cone de Visibilidade, mas de costas"

Primeiro corte de quem podia ver

OTS, Opportunity-to-See

"Contabiliza todas as pessoas que poderiam ter potencialmente enxergado o anúncio dentro de um Display Exposure Zone"

Teto de exposição do ponto

Impressões visíveis

"Todas aquelas que estão disponíveis para serem visualizadas por um indivíduo em sua jornada"

Oferta disponível no período

Impressões vistas, ou impactos

Aqueles que "possuem o anúncio em seu campo de visão por ao menos 1 segundo"

A linha que costuma virar entrega contratada

LTS, Likelihood-to-See

Ajuste "considerando dados de probabilidade real, aplicando-se estudos de rastreamento ocular"

Versão mais conservadora, e a mais difícil de comparar entre fornecedores

VAC, Visibility Adjusted Contacts

"Impressões realmente vistas em vez de impressões potenciais"

Base de cálculo de custo por contato

Alcance

"Total de indivíduos únicos que foram impactados pela mensagem publicitária ao longo de um período"

Cobertura

Frequência

"Total de vezes que um indivíduo foi exposto à mesma mensagem publicitária durante um período de veiculação"

Pressão sobre quem já foi atingido

GRP

"É um fator que multiplica o Alcance x Frequência e baliza o esforço publicitário total"

Comparação com o plano de TV

Ler a tabela de cima para baixo mostra o tamanho do problema. O tráfego total e o impacto medido por um segundo de campo de visão são a mesma campanha descrita de duas formas legítimas, e nenhuma das duas está errada. O que está errado é apresentar uma como se fosse a outra.

O Padrão ABOOH de Métricas colocou a declaração de metodologia no centro

Em 30 de abril de 2026, a ABOOH, Associação Brasileira de Out of Home, apresentou o Padrão ABOOH de Métricas do OOH. Pelo que a associação publica, é um documento técnico de referência aberto, construído para estabelecer uma linguagem comum e aplicável em todo o setor.

A diferença em relação ao guia da ABA está no objeto. O guia da ABA define os termos. O padrão da ABOOH trata do que fazer quando duas empresas medem o mesmo ponto com tecnologias diferentes. Na cobertura do Propmark de 7 de maio de 2026, a formulação é de que o padrão "cria uma camada de harmonização capaz de integrar diferentes tecnologias de mensuração, como dados móveis, Wi-Fi, visão computacional e pesquisas amostrais".

O Meio & Mensagem, na matéria de 30 de abril de 2026, lista as métricas que o padrão cobre: OTS, traduzido ali como oportunidade de ver, LTS, traduzido como propensão de ver, GRP, impactos visíveis, alcance, frequência e visualizações completas. Yuri Berezovoy, head de adtech e programática de DOOH da RZK Digital e diretor de métricas, estudos e pesquisas da ABOOH, e Felipe Viante, presidente da ABOOH, são as vozes citadas na apresentação.

O ponto operacional é o mecanismo de adesão. Segundo a mesma cobertura, a empresa que quer aderir preenche uma declaração de metodologia, em caráter confidencial. Ou seja, o padrão não obriga ninguém a medir do mesmo jeito. Ele obriga quem adere a dizer como mede.

Essa é a parte que muda o trabalho de quem planeja. A pergunta deixa de ser "qual fornecedor tem o número maior" e passa a ser "os dois números estão na mesma unidade". A primeira pergunta não tem resposta útil. A segunda tem.

Vale a ressalva de acesso: o padrão, o resumo executivo e a versão em inglês estão na área de materiais da ABOOH atrás de formulário de cadastro, então o que descrevo aqui vem do que a associação publica na página e da cobertura de imprensa datada, não da leitura do documento completo.

Os padrões internacionais de OOH declaram escopo americano

O Guia ABA nomeia as referências em que se apoia: o 3MS, o MRC Out-of-Home Measurement Standards, do Media Rating Council, as Global OOH Audience Measurement Guidelines da World Out of Home Organization, e o ROUTE, o instituto britânico de audiência.

Abri o documento do MRC em 29 de setembro de 2026. A versão Phase 1, Exclusive of Audience, é de abril de 2024, e ela declara o próprio alcance numa frase: "These Standards are intended to lead toward improved measurement practices in the United States for OOH media, encouraging adoption for countries and entities outside the U.S." O padrão é dos Estados Unidos, com convite de adoção a outros países.

As definições são as mesmas que o material brasileiro traduz. OTS aparece como "Presence in the defined Display Exposure Zone while content is deemed to be viewable, though this does not require that the content be viewed or listened to", e LTS como "A further refinement of Viewable Impressions whereby an adjustment is applied to account for the likelihood individuals noticed or saw the Content or Ad on the Display".

A árvore conceitual, portanto, é internacional, e é bom que seja, porque garante que o vocabulário viaje. A aplicação, a amostra e a calibragem são de cada mercado, e é aí que entram os dois documentos brasileiros.

No DOOH programático a unidade de compra é a impressão, com multiplicador

Existe uma segunda régua rodando em paralelo, e ela é a que aparece na plataforma. Quando a tela é comprada por leilão programático, a unidade transacionada é a impressão, e ela não sai direto do sensor: sai da audiência estimada do painel convertida por um fator. É o multiplicador de impressões, que já tratei no texto sobre compra de DOOH por impacto em vez de por tela.

O IAB Brasil atualizou o Guia de DOOH Programático em 2026. Na cobertura do Meio & Mensagem de 6 de agosto de 2026, o documento é uma produção do Grupo de Trabalho de Digital Out-of-Home da entidade, com 22 profissionais de 17 empresas, e cobre "metodologias de mensuração de audiência baseadas no multiplicador de impressões e diversas tecnologias de coleta de dados". O guia também está atrás de formulário.

Na prática, o mesmo circuito de telas pode ser descrito por duas contagens diferentes e corretas: por impacto, na linguagem da pesquisa de audiência, e por impressão, na linguagem do leilão programático. Quando o plano soma as duas colunas, o total não significa nada. Quando o plano declara qual está usando, a comparação com Connected TV e com display passa a ser possível.

A mensuração omnichannel de OOH começa pela unidade declarada

A notícia que tornou esse assunto atual veio de fora. Em 24 de setembro de 2026, a Clear Channel Outdoor anunciou a expansão da plataforma de dados RADAR, com integração à solução Cross-Media Intelligence da LiveRamp, em que a empresa se apresenta como a primeira de mídia OOH a entrar, e às soluções de Marketing Mix Modeling e Multi-Touch Attribution da TransUnion.

Dan Levi, EVP e chief marketing officer da Clear Channel Outdoor, resume o objetivo assim: "OOH has always been a powerful medium, but marketers need to be able to see its contribution within the same measurement frameworks". A tradução é minha: o meio já era forte, o que faltava era enxergar a contribuição dele dentro dos mesmos modelos de mensuração dos outros canais.

Duas ressalvas antes que isso vire slide de tendência. O comunicado não declara em quais países a integração está disponível, e traz a frase "Some RADAR solutions may not be available in all CCO markets". Pela régua que uso, isso significa que não dá para afirmar nada sobre a disponibilidade brasileira a partir desse anúncio. A conferência prática é perguntar ao parceiro de inventário quais soluções de mensuração estão ativas aqui.

A segunda ressalva é conceitual e vale mais. Modelo de mix e atribuição multi-toque só conseguem processar OOH se a exposição chegar em uma unidade declarada e estável. Por isso os dois movimentos, o americano de conectar OOH ao modelo de mix e o brasileiro de padronizar o que conta como impacto, resolvem degraus diferentes do mesmo problema: um canal só entra no modelo depois de ter unidade.

Por que a métrica declarada decide se duas propostas são comparáveis

A consequência cabe numa linha do briefing: antes de pedir número, peça a unidade. A pergunta que faço antes de comparar duas propostas de mídia exterior é qual métrica está na coluna, e a resposta costuma vir com a diferença já explicada pelo próprio fornecedor, porque o setor construiu os dois documentos justamente para que ela seja fácil de dar. Quem vende inventário de OOH e DOOH com metodologia declarada tem aí um argumento comercial pronto: a proposta dele fica comparável, e a do concorrente sem declaração, não.

Tabela 2. Itens que tornam uma proposta de OOH comparável a outra. Escopo: Brasil. Prática de planejamento, escrita a partir dos termos definidos pelo Guia ABA de Métricas de OOH e pelo mecanismo de declaração descrito na apresentação do Padrão ABOOH. Não é recomendação publicada pela ABA nem pela ABOOH.

Item

Por que ele decide a comparação

Nome da métrica entregue

Tráfego, OTS, impacto e LTS produzem números de ordens diferentes para a mesma veiculação

Tecnologia de coleta

Dados móveis, Wi-Fi, visão computacional e pesquisa amostral não medem a mesma coisa do mesmo jeito

Adesão a padrão declarado

Indica que existe declaração de metodologia registrada, e não só um número no PDF

Se a compra é por circuito ou por impressão

Circuito garante presença, leilão entrega volume; são contratos diferentes

Alcance e frequência, separados do total

Um total alto com frequência alta cobre menos gente do que parece

Quanto custa anunciar em OOH e DOOH no Brasil

Essa é a pergunta que aparece assim que a régua de audiência fica clara, e ela não tem resposta de tabela. O preço de mídia exterior se forma por praça, tipo de face, período, horário e volume contratado, e na rota programática ele se forma no leilão, com piso definido por quem vende. Duas campanhas com o mesmo número de impactos podem ter custo por contato muito diferente por causa do endereço da tela.

O que dá para fixar antes da negociação é a unidade, que é justamente o assunto deste texto. Definida a unidade, o custo por contato vira comparável entre fornecedores e entre canais. Para número fechado de praça, circuito e período, a conversa é com quem monta o plano: dá para falar com o time comercial da Adsplay com o briefing na mão.

O que muda no plano quando a unidade está escrita ao lado do número

O Digital AdSpend do IAB Brasil com o Kantar Ibope Media, divulgado em 29 de abril de 2026 com ano-base 2025, apurou R$ 42,7 bilhões em investimento digital e colocou DOOH em linha própria pela primeira vez, com R$ 4,4 bilhões. Uma linha própria num estudo de mercado é o reconhecimento de que o canal virou item de plano, e item de plano precisa de unidade de medida.

A leitura que faço é que o Out of Home brasileiro passou pelos dois movimentos na ordem certa: primeiro entrou no estudo com valor próprio, depois ganhou régua de audiência. Falta o terceiro, que é o vocabulário chegar ao briefing. Enquanto o slide trouxer a palavra impacto sem dizer qual impacto, a discussão de Mídias Alternativas volta a ser sobre intuição.

Não é o fornecedor que resolve isso sozinho. É o plano que pede a unidade antes de pedir o número, e os dois documentos para fazer esse pedido já existem e estão em português.

Perguntas frequentes sobre métricas de OOH no Brasil

O que são métricas de OOH? São as unidades usadas para descrever quantas pessoas tiveram contato com um anúncio em mídia exterior, como OTS, impacto, alcance, frequência e GRP. Bruno Campos de Oliveira, co-fundador e COO da Adsplay Mídia e co-autor de "Mídia Programática de A a Z", trata cada uma delas como um degrau distinto de contagem: elas descrevem a mesma veiculação com critérios diferentes, e comparar propostas sem saber qual está em uso produz uma conclusão errada sobre qual praça rendeu mais.

Qual a diferença entre OTS e impacto? Pelo Guia ABA de Métricas de OOH, o OTS contabiliza todas as pessoas que poderiam ter potencialmente enxergado o anúncio dentro da zona de exposição da face, enquanto impacto, ou impressão vista, é contado quando o anúncio esteve no campo de visão da pessoa por ao menos um segundo. O OTS é o teto, o impacto é o recorte de quem esteve em posição de ver.

Existe um padrão brasileiro de métricas para OOH? Existem dois documentos, com objetos diferentes. O Guia ABA de Métricas de OOH, da ABA com o MapaOOH, lançado em 7 de maio de 2025, define os termos e é público. O Padrão ABOOH de Métricas do OOH, apresentado pela ABOOH em 30 de abril de 2026, propõe uma camada de harmonização entre metodologias e prevê que a empresa aderente preencha uma declaração de metodologia; ele está na área de materiais da associação, atrás de cadastro.

Por que o número de impressões do DOOH programático é diferente do número de impactos da pesquisa? Porque são duas réguas em paralelo. Na compra por leilão, a unidade transacionada é a impressão, calculada a partir da audiência estimada do painel com um multiplicador. Na pesquisa de audiência, a unidade é o contato de uma pessoa com a face. As duas descrevem a mesma tela e não devem ser somadas na mesma coluna do plano.

Quanto custa anunciar em OOH ou DOOH no Brasil? Não sai de tabela. O preço se forma por praça, tipo de face, período, horário e volume, e na rota programática se forma no leilão, com piso definido por quem vende. O que torna as propostas comparáveis é fixar antes a unidade de audiência e só então olhar o custo por contato. Para valores de um circuito e de um período específicos, o caminho é o briefing com o time comercial da Adsplay.

Fontes

ABA, Associação Brasileira de Anunciantes, e MapaOOH, "Guia ABA de Métricas de OOH", lançado em 07/05/2025, com apoio da ABOOH e da Central de Outdoor, consultado em 29/09/2026. ABOOH, Associação Brasileira de Out of Home, página do "Padrão ABOOH de Métricas do OOH" e área de materiais, consultadas em 29/09/2026. Meio & Mensagem, "Abooh apresenta padrão de métricas para OOH", 30/04/2026. Propmark, "Padronização de métricas reposiciona OOH no mercado publicitário orientado por dados", 07/05/2026. Media Rating Council, "MRC Out-of-Home Measurement Standards Phase 1 – Exclusive of Audience", abril de 2024, consultado em 29/09/2026. Escopo declarado: Estados Unidos. Meio & Mensagem, "DOOH Programático: IAB lança guia atualizado sobre o tema", 06/08/2026, sobre a edição 2026 do Guia de DOOH Programático do IAB Brasil. Clear Channel Outdoor, "Clear Channel Outdoor Brings Out-of-Home into Omnichannel Measurement with RADAR Expansion", 24/09/2026. Sem escopo geográfico declarado. IAB Brasil com Kantar Ibope Media, Digital AdSpend ano-base 2025, divulgado em 29/04/2026.

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