DV360 em 2026: as decisões de campanha mudaram de nível

Em 23 de fevereiro de 2026, o Display & Video 360 deixou de aceitar segmentação e fonte de inventário nos níveis de campanha e de pedido de inserção. A frase está na página de novidades do próprio Google: "You will not be able to apply targeting settings and inventory source settings as it will be removed from the Campaign and Insertion Order (IO) levels and consolidated to partner and line item level only."
Isso chegou ao mercado como nota de versão, e é mudança de arquitetura de conta.
No Brasil o plano de mídia costuma nascer em planilha e descer para a plataforma com a mesma forma: um pedido de inserção por praça, outro por formato, e a estratégia escrita nesse nível. Essa correspondência entre o papel e a plataforma deixou de existir.
A hierarquia do DV360, do parceiro ao criativo
O Display & Video 360, ou DV360, é a DSP do Google, e organiza a conta em cinco níveis encadeados. A Central de Ajuda usa em português os nomes parceiro, anunciante, campanha, pedido de inserção e item de linha. Em inglês, partner, advertiser, campaign, insertion order e line item. Abaixo do item de linha ficam os criativos, e nas linhas de YouTube e Geração de Demanda, os anúncios.
Vale fixar os termos, porque campanha, pedido de inserção e item de linha são três coisas diferentes, e trocar um pelo outro é o que faz um plano ser executado ao contrário do que foi vendido. Quem quiser o percurso completo de como a compra programática funciona antes de entrar na plataforma encontra o encadeamento no guia de Mídia Programática no Brasil.
Estrutura do Display & Video 360 e o que cada nível decide depois das mudanças de 2026. Adaptado da Central de Ajuda do Display & Video 360 e da página "Announced Deprecations" da API do Display & Video 360, ambas do Google, consultadas em 21 de setembro de 2026. Escopo: documentação global, sem declaração de disponibilidade por mercado.
Nível | Nome em inglês | O que decide em 2026 |
Parceiro | Partner | Segmentação e fontes de inventário que valem para tudo que roda abaixo |
Anunciante | Advertiser | Controles de brand suitability, criativos e conversões |
Campanha | Campaign | Orçamento total, período e objetivo |
Pedido de inserção | Insertion order | Orçamento compartilhado, datas de início e término, ritmo, limite de frequência e meta |
Item de linha | Line item | Segmentação, fontes de inventário, estratégia de lance e criativo que vai ao ar |
O que saiu do pedido de inserção em fevereiro de 2026
A página "Announced Deprecations" da API do Display & Video 360 registra a data de 23 de fevereiro de 2026 e descreve o efeito técnico: os métodos que aplicavam segmentação em campanha e pedido de inserção passam a retornar erro 404, e as colunas de segmentação deixam de ser preenchidas no download dos arquivos de dados estruturados.
O Google também diz o que não mudou, na mesma página de novidades: "All settings will still be available at the line item level. While there will be no impact to serving at launch, your workflows for setting targeting and inventory sources will be at the partner and/or line item level only."
Nenhuma opção de segmentação foi eliminada. Mudou o lugar onde ela é declarada, e é isso que muda o trabalho de quem monta a conta.
Por que isso muda o desenho do plano de mídia no Brasil
O modelo antigo permitia uma coisa confortável: escrever a estratégia uma vez, no pedido de inserção, e deixar os itens de linha herdarem. Um pedido de inserção para São Paulo capital, outro para o interior, com a geografia declarada no nível de cima e seis ou sete itens de linha embaixo cuidando de formato e de lance.
Sem isso, cada item de linha precisa carregar a segmentação inteira. Uma conta com quatro praças e cinco formatos sai de quatro declarações de geografia para vinte. O erro operacional muda de natureza: antes o risco era herdar segmentação errada de cima, agora é esquecer de repetir a certa embaixo.
A saída que o próprio Google aponta é o nível de parceiro, que é onde ficam as regras válidas para toda a operação, o que a marca não compra em nenhuma campanha. Em reunião de planejamento essa lista existe, quase sempre no slide de brand safety, e raramente está configurada como regra permanente na plataforma. Agora ela tem lugar.
Operar dentro de plataforma de terceiro é casa alugada com móveis planejados. Você projeta a estrutura em cima de uma parede que não é sua, e quando o proprietário reforma, o armário precisa ser refeito.
A ajuda do DV360 em português ainda descreve o modelo antigo
Em 21 de setembro de 2026, a página "Criar um pedido de inserção" da Central de Ajuda do Display & Video 360 em português ainda instrui: "Escolha qualquer segmentação padrão no nível do pedido de inserção. Essa segmentação será usada como segmentação padrão para todos os novos itens de linha criados."
A instrução descreve o comportamento anterior a fevereiro de 2026. A nota prática que tiro disso é sobre qual fonte consultar: para calendário de mudanças do DV360, o que fica em dia são as páginas "Coming soon" em inglês e a de descontinuações da API, não a ajuda traduzida.
Brand suitability foi consolidada no nível de anunciante
O segundo movimento de 2026 é do mesmo tipo e vai na outra direção. A Central de Ajuda do Display & Video 360, na página sobre a nova experiência de brand suitability, diz: "All brand suitability controls (except third-party verification, keyword exclusions, and channels or URL exclusions) will be located at the advertiser level only."
O vocabulário mudou junto. "Content categories" virou "inventory modes", entrou "content themes exclusions" no lugar das antigas "category exclusions", "other content types" virou "content types" e "other verification services" virou "third-party verification". A página não declara uma data única para a consolidação, então quem depende disso precisa conferir o comportamento na própria conta.
1º de outubro de 2026: duas exclusões saem da segmentação
A página de descontinuações da API do Display & Video 360 traz duas entradas com a mesma data, 1º de outubro de 2026. A primeira descarta os valores do enum SensitiveCategory no campo excludedSensitiveCategory. A segunda descarta os valores de ContentRatingTier no campo excludedContentRatingTier. Em linguagem de operação: as exclusões de categoria sensível e de digital content label deixam de valer como segmentação.
A página "Coming soon" do terceiro trimestre de 2026 registra a mesma mudança pelo lado da interface, com a nota de que categorias sensíveis e digital content labels são descontinuadas para inventário programático em outubro de 2026. A mesma página marca outubro de 2026 para a descontinuação de itens de linha legados de mCPV e de Video reach 1.0.
O que entra no lugar das exclusões antigas
Entram dois controles no lugar, inventory modes e content themes. Eles operam em granularidade diferente dos antigos, e as páginas que o Google publicou sobre a mudança não trazem tabela de equivalência entre o que existia e o que passa a existir. Na prática, a migração não é automática no plano: quem tinha uma lista de labels excluídos precisa decidir, linha por linha, qual combinação nova representa a mesma restrição.
O ponto de atenção para quem presta contas a um cliente é o documento aprovado. Se o plano de mídia lista exclusões pelo nome antigo, o nome antigo deixa de existir em outubro. Essa conversa é melhor em setembro do que no relatório de novembro.
12 de outubro de 2026: nome comercial e logo viram obrigatórios no YouTube
Ainda na página de descontinuações, 12 de outubro de 2026 é a data em que nome comercial e logo passam a ser obrigatórios nos anúncios responsivos do YouTube, caso não existam valores padrão definidos no anunciante. As notas de versão da API de 23 de julho de 2026 trazem os dois campos que resolvem isso de uma vez, defaultBusinessName e defaultLogoAssetId, no recurso Advertiser.
É a mudança mais barata de resolver da lista. Preencher os dois campos no nível de anunciante evita ter que corrigir anúncio por anúncio na véspera de uma subida.
DOOH no Brasil: a mudança de política que tem o nosso nome
A página "Coming soon" do segundo trimestre de 2026 traz uma linha com o Brasil escrito nela, com data estimada de 27 de abril de 2026: "Online gambling promotion in Brazil has expanded to digital out-of-home (DOOH) formats." O texto exige que o anunciante mantenha as certificações necessárias e a conformidade com a regulação local. Na mesma página e na mesma data estimada, publicidade de álcool passou a ser aceita em formatos de DOOH.
A regulação local citada é a Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023, que criou o regime de apostas de quota fixa no Brasil. Para quem planeja, a leitura é direta: dentro do DV360, a promoção de apostas online no Brasil passou a alcançar formatos de DOOH, com certificação. Quem ainda não trabalha com o canal encontra as rotas de compra e a diferença entre comprar tela e comprar impacto no texto sobre DOOH no Brasil.
Áudio Digital ganhou quatro tipos de conteúdo novos no DV360
A página "Coming soon" do terceiro trimestre de 2026 lista quatro opções novas de segmentação por tipo de conteúdo de áudio: catch-up radio, web radio, video game e text-to-speech. Duas categorias existentes foram renomeadas, com "Online radio" virando "Live FM/AM broadcast" e "Streaming music" virando "Music streaming service". As notas de versão da API de 10 de junho de 2026 trazem os valores correspondentes, AUDIO_CONTENT_TYPE_CATCH_UP_RADIO, AUDIO_CONTENT_TYPE_TEXT_TO_SPEECH, AUDIO_CONTENT_TYPE_VIDEO_GAME e AUDIO_CONTENT_TYPE_WEB_RADIO.
Vale a ressalva de escopo, e ela vale para toda a lista deste texto: é documentação global do DV360, sem declaração de disponibilidade por mercado. A existência da opção de segmentação não confirma a existência do inventário brasileiro correspondente, e essa confirmação se faz com o fornecedor, antes do plano. É a mesma ressalva que separa o que a plataforma oferece do que dá para comprar em Áudio Digital no Brasil hoje.
As mudanças de nome que quebram série histórica de relatório
A página "Coming soon" do terceiro trimestre de 2026 marca 21 de setembro de 2026 para duas trocas de nome de ad exchange: "Connatix" passa a se chamar "JWX" e "Seedtag" passa a se chamar "Seedtag NeuroX". Antes disso, a página do primeiro trimestre de 2026 registrou a ad exchange "Unruly" passando a se chamar "Nexxen", em março de 2026.
Nenhuma dessas trocas altera entrega, e todas alteram qualquer relatório que compare períodos por nome de fornecedor. A mesma ad exchange aparece com dois nomes diferentes dentro do mesmo ano, e a comparação de período contra período precisa de tradução manual.
O que conferir na conta antes de outubro
Datas de descontinuação publicadas pelo Google nas páginas "Announced Deprecations" da API do Display & Video 360 e "Coming soon" do segundo e do terceiro trimestre de 2026, consultadas em 21 de setembro de 2026. Escopo: documentação global. A coluna de ação é leitura minha, não recomendação publicada pelo Google.
Data | O que muda | O que fazer |
23 de fevereiro de 2026, já em vigor | Segmentação e fonte de inventário saem de campanha e de pedido de inserção | Levar as restrições permanentes para o nível de parceiro e conferir se todo item de linha carrega a segmentação completa |
13 de julho de 2026, já em vigor | Nielsen deixa de ser aceito como fornecedor de brand lift | Redefinir o fornecedor do estudo de marca antes do próximo ciclo |
1º de outubro de 2026 | Exclusões de categoria sensível e de digital content label saem da segmentação | Traduzir cada exclusão do plano aprovado para inventory modes e content themes, e revisar com o cliente |
12 de outubro de 2026 | Nome comercial e logo obrigatórios em anúncios responsivos do YouTube | Preencher os valores padrão no nível de anunciante |
Outubro de 2026 | Itens de linha legados de mCPV e de Video reach 1.0 descontinuados | Mapear as linhas antigas e replanejar a compra de vídeo |
Quanto custa operar Mídia Programática com DV360 no Brasil
Essa é a pergunta que aparece em toda reunião assim que a estrutura fica clara, e ela não tem resposta de tabela. Não existe preço público de CPM de DV360 no Brasil porque o preço não sai de tabela: ele se forma no leilão e depende de praça, formato, período, volume e de quem mais está disputando o mesmo impacto. O mecanismo, incluindo o efeito do piso de preço no resultado, está no texto sobre leilão e piso de preço.
Além do custo de mídia entram o custo de plataforma e o custo de operação, que variam conforme o modelo de contratação. Quem precisa do número da própria campanha precisa de uma simulação com praça, formato e verba reais, e isso se resolve em conversa: dá para falar com o time comercial da Adsplay com o plano na mão.
Esse raciocínio não é exclusivo do DV360. Ele vale para Connected TV, DOOH, Retail Media e Áudio Digital, os canais que agrupo como Mídias Alternativas.
Perguntas frequentes sobre a estrutura do DV360
O que é o DV360? Bruno Campos de Oliveira, COO da Adsplay Mídia e co-autor do livro "Mídia Programática de A a Z", descreve o Display & Video 360 como a DSP do Google, a plataforma pela qual o anunciante compra inventário de display, vídeo, Connected TV, Áudio Digital e DOOH em leilão, com a conta organizada em parceiro, anunciante, campanha, pedido de inserção e item de linha.
Qual a diferença entre campanha, pedido de inserção e item de linha? A campanha define orçamento total, período e objetivo. O pedido de inserção agrupa itens de linha que compartilham orçamento, datas, ritmo e limite de frequência. O item de linha é onde ficam a segmentação, as fontes de inventário, a estratégia de lance e o criativo que vai ao ar.
Ainda dá para aplicar segmentação no pedido de inserção? Não. Desde 23 de fevereiro de 2026, segmentação e fonte de inventário são aplicadas apenas nos níveis de parceiro e de item de linha, conforme a página de novidades e a de descontinuações da API do Display & Video 360.
O que muda em 1º de outubro de 2026? As exclusões de categoria sensível e de digital content label deixam de ser aplicáveis como segmentação, conforme a página "Announced Deprecations" da API do Display & Video 360.
O que entra no lugar dessas exclusões? Inventory modes e content themes. As páginas que o Google publicou sobre a mudança não trazem tabela de equivalência com os controles antigos, então a tradução de cada exclusão precisa ser feita manualmente e revisada com o anunciante.
Essas mudanças valem para o Brasil? As mudanças de estrutura e de API são de documentação global e não trazem recorte por mercado. A exceção com o Brasil escrito nela é a expansão da promoção de apostas online para formatos de DOOH, com data estimada de 27 de abril de 2026.
Quanto custa anunciar com DV360 no Brasil? Não existe tabela pública de preço, porque o CPM se forma no leilão e depende de praça, formato, período, volume e concorrência. O caminho é montar uma simulação com os parâmetros reais da campanha, o que se faz em conversa com o time comercial.
Nenhuma dessas datas muda o que dá para comprar no DV360. Todas mudam onde a decisão fica escrita, e quem não reescrever a estrutura da conta até outubro vai descobrir isso na hora de subir campanha.
Fontes
Google, Central de Ajuda do Display & Video 360, "Coming soon: Display & Video 360 updates in Q1 2026", "Q2 2026" e "Q3 2026", consultadas em 21 de setembro de 2026. · Google, "Announced Deprecations", documentação da API do Display & Video 360, consultada em 21 de setembro de 2026. · Google, notas de versão da API do Display & Video 360, entradas de 10 de junho de 2026 e de 23 de julho de 2026. · Google, Central de Ajuda do Display & Video 360, "Coming soon: Updates to Display & Video 360 brand suitability experience" e "Criar um pedido de inserção", em português, consultadas em 21 de setembro de 2026. · Brasil, Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023.
Sobre o autor. Bruno Campos de Oliveira é co-fundador e COO da Adsplay Mídia, co-autor de "Mídia Programática de A a Z" e professor convidado, com aulas na ESPM e na USP em 2026. É formado em Gestão de Marketing pela USP.
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