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Marketing com IA: otimizar conteúdo para respostas de IA já dá para medir

Foto do escritor: Bruno Campos de Oliveira
Bruno Campos de Oliveira
19 de set.
11 min de leitura

Atualizado: 21 de set.

Em 10 de setembro de 2026, o IAB publicou a atualização de setembro do 2026 Outlook Study e registrou que otimizar conteúdo para respostas geradas por IA passou a ser a área de maior aumento de foco entre os compradores de mídia, com 76%. O estudo ouviu mais de 200 decisores de investimento de marca e de agência, e trata de investimento publicitário dos Estados Unidos.

O percentual sozinho não resolve nada. O que vem junto com ele resolve: 86% dos compradores já mudaram, ou esperam mudar nos próximos doze meses, a forma como medem performance de mídia por causa de ferramentas de IA conversacional e de agentes.

No Brasil, essa conta já tem data de início e já tem relatório.

O estudo que colocou otimização para IA em primeiro lugar é dos Estados Unidos

A atualização de setembro do 2026 Outlook Study, publicada pelo IAB em 10 de setembro de 2026, traz cinco percentuais que só fazem sentido lidos juntos. Otimizar conteúdo para respostas geradas por IA aparece em 76%, como a área que mais ganhou foco entre os compradores. Otimizar para os modelos de linguagem que sustentam essas respostas aparece em 72%. Uso de IA generativa dentro das campanhas de mídia aparece em 69%, contra 78% na edição de janeiro de 2026. Medir visibilidade e citação da marca dentro das próprias ferramentas de IA aparece em 48%.

A leitura que esses números permitem é de troca de prioridade: o foco saiu de produzir com IA e foi para ser encontrado pela IA. A queda de 78% para 69% no uso de IA generativa dentro da campanha, no mesmo intervalo em que a otimização de conteúdo sobe para o topo da lista, descreve um deslocamento dentro do mesmo orçamento de atenção.

Áreas de aumento de foco entre compradores de mídia nos Estados Unidos. Fonte: IAB, "2026 Outlook Study: September Update", publicado em 10 de setembro de 2026, com base em mais de 200 decisores de investimento de marca e de agência. Dados dos Estados Unidos, não do Brasil.

Área de foco declarada pelos compradores

Percentual

Otimizar conteúdo para respostas geradas por IA

76%

Otimizar para os modelos de linguagem por trás das respostas

72%

Usar IA generativa dentro das campanhas de mídia

69%, contra 78% em janeiro de 2026

Medir visibilidade e citação da marca dentro de ferramentas de IA

48%

Já mudaram ou esperam mudar a mensuração de performance em 12 meses

86%

Nada disso é dado brasileiro. O IAB dos Estados Unidos ouviu compradores americanos sobre investimento americano, e o estudo diz isso com todas as letras. Transpor esse quadro para uma reunião de planejamento em São Paulo é o tipo de erro que custa caro em Mídia Programática, e ele aparece toda vez que um número chega em português sem dizer de onde veio.

A busca com IA em português tem data de início: 8 de setembro de 2025

O Google levou o AI Mode para cinco novos idiomas em 8 de setembro de 2025, e o português do Brasil estava entre eles. O anúncio oficial no blog da empresa diz: "Starting today, we're bringing AI Mode, our most powerful AI search experience, to five new languages for users around the globe: Hindi, Indonesian, Japanese, Korean, and Brazilian Portuguese." Os outros quatro idiomas eram hindi, indonésio, japonês e coreano.

A data importa por um motivo operacional. Quem for comparar comportamento de busca antes e depois da chegada da resposta gerada em português precisa de um marco público para ancorar a série, e esse é o marco.

O Google documenta que não existe otimização especial para AI Overviews e AI Mode

A documentação do Google para desenvolvedores sobre recursos de IA na Busca, atualizada em 10 de dezembro de 2025, é direta: "There are no additional requirements to appear in AI Overviews or AI Mode, nor other special optimizations necessary." No mesmo documento, a empresa acrescenta: "You don't need to create new machine readable files, AI text files, or markup to appear in these features."

Em português: não há arquivo novo para criar, não há marcação nova para adicionar. O que o Google lista como requisito é o conjunto que já estava na lista de qualquer site que queira ser encontrado, ou seja, atender aos requisitos técnicos de indexação, permitir o rastreamento, publicar conteúdo útil e confiável, entregar boa experiência de página e apresentar o conteúdo em formato de texto.

Para o caminho inverso, quem quiser limitar a exibição do próprio conteúdo nessas superfícies usa os controles que já existem: nosnippet, data-nosnippet, max-snippet e noindex.

Isso define onde o esforço rende. Se a documentação da plataforma diz que o requisito é o mesmo, o trabalho está no conteúdo e na base técnica do site, não em um pacote separado de otimização para IA.

O Search Console mostra impressão em IA generativa para todo site desde 31 de agosto de 2026

Em junho de 2026, o Google anunciou no blog do Search Central os relatórios de desempenho de IA generativa no Search Console. A liberação começou por um grupo de sites do Reino Unido e foi ampliada ao longo do ano. A frase que fecha o processo está na Central de Ajuda do Search Console: "As of August 31, 2026, we've rolled out these insights to all websites worldwide."

O relatório cobre AI Overviews e AI Mode na Busca. Experimentos do Search Labs ficam de fora. As dimensões disponíveis são página, agrupada por URL canônico, país de origem da busca, data em horário do Pacífico e dispositivo. Valem as mesmas limitações do relatório de desempenho da Busca, incluindo o teto de mil linhas.

O relatório de IA generativa não traz clique, e isso muda o que dá para prometer

A métrica que o relatório entrega é impressão, ou seja, quantas vezes um link do site apareceu para usuários dentro dos recursos de IA generativa. Clique não está lá.

O que o relatório de desempenho de IA generativa entrega e o que ele não entrega. Fonte: Central de Ajuda do Search Console do Google, consultada em 19 de setembro de 2026.

Item

Relatório de desempenho de IA generativa

Superfícies cobertas

AI Overviews e AI Mode na Busca

Métrica disponível

Impressão

Clique

Não incluído

Dimensões

Página por URL canônico, país, data e dispositivo

Fuso das datas

Horário do Pacífico

Teto de linhas

1.000, como no relatório de desempenho da Busca

Experimentos do Search Labs

Fora do relatório

Disponibilidade

Todos os sites do mundo, desde 31 de agosto de 2026

A consequência é direta para quem monta relatório de cliente. Dá para medir presença e evolução de presença. Não dá para medir tráfego vindo de resposta de IA do Google por esse relatório, nem calcular taxa de clique dessa superfície, nem atribuir venda a ela por esse caminho. Um número de retorno apresentado como resultado de otimização para IA do Google vem necessariamente de outra fonte, e essa fonte precisa estar nomeada no slide, com data e com país.

Como ler o relatório de IA generativa com recorte Brasil

O caminho é curto. No Search Console, abra o relatório de desempenho de IA generativa e aplique o filtro de país selecionando Brasil. A partir daí, três leituras rendem mais do que o resto.

A primeira é de volume relativo, comparando quanto de impressão o site recebe em IA generativa e quanto recebe na busca tradicional na mesma janela de datas. A segunda é de página, porque a lista de URLs que aparecem em resposta gerada costuma não bater com a lista das que trazem clique. A terceira é de dispositivo, que separa quem pergunta no celular de quem pergunta no desktop.

Um cuidado de leitura: as datas do relatório estão em horário do Pacífico. Qualquer comparação dia a dia com um painel que roda em horário de Brasília vai gerar diferença nas bordas da janela.

O dado brasileiro de tráfego de IA existe, e ele é de 2025

O estudo "O Futuro da Busca: como a IA generativa está redefinindo o caminho até o consumidor", produzido pela Cadastra em parceria com a Similarweb e divulgado pelo Meio & Mensagem, analisou o período de janeiro de 2023 a agosto de 2025. Em agosto de 2025, o ChatGPT somou 310,67 milhões de acessos no Brasil, alta de 124,58% em doze meses. O mesmo estudo aponta o Brasil como terceiro país em volume global de tráfego em ferramentas de IA.

O achado mais útil desse levantamento para quem produz conteúdo não é o volume, é o formato da pergunta. A consulta média dentro das ferramentas de IA tem 23 palavras, cinco vezes mais longa do que a consulta típica de busca.

Vinte e três palavras não são uma palavra-chave. São uma pergunta com contexto, restrição e critério dentro dela. Um texto que responde a "CPM de CTV" e um texto que responde a "quanto custa anunciar em TV conectada no Brasil para uma marca regional que nunca comprou vídeo" não são o mesmo texto, e só o segundo tem chance de ser citado como resposta.

Número de sessão de IA que circula em português costuma vir sem escopo geográfico

Em 6 de julho de 2026, a Previsible publicou o 2026 State of AI Discovery Report, terceira edição de um levantamento que analisou 6,77 milhões de sessões de busca originadas em IA, em 166 propriedades digitais de oito setores, entre novembro de 2024 e maio de 2026. O número mais reproduzido do relatório é a concentração do ChatGPT no tráfego de indicação vindo de modelos de linguagem.

O comunicado de lançamento do estudo não declara escopo geográfico. Ele não diz se as 166 propriedades são americanas, globais, ou se incluem sites brasileiros. Sem isso, o percentual não pode ser publicado em português como retrato do Brasil, por mais conveniente que ele seja para a tese de quem está escrevendo.

É o mesmo cuidado que separa um relatório de mídia que se sustenta de um que não se sustenta. Dado sem escopo declarado é dado pela metade.

Aparecer na resposta de IA não é linha de plano de mídia

Vale separar duas coisas que costumam ser tratadas como uma só. Aparecer citado dentro de uma resposta gerada é resultado orgânico, medido em impressão no Search Console, sem compra envolvida. Comprar anúncio dentro de um ambiente de IA é outra operação, com leilão, formato e mensuração próprios, como já acontece no ChatGPT Ads no Brasil.

A primeira depende de conteúdo indexável e de base técnica. A segunda depende de verba, de plataforma e das mesmas regras de compra que valem no resto da Mídia Programática.

A pergunta que nasce nesse ponto, em toda reunião, é quanto custa. O preço não sai de tabela, no ambiente de IA nem nos outros canais programáticos. Ele se forma no leilão, e depende de praça, formato, período e volume disputado naquele momento. Quem precisa de número para um plano específico leva o briefing e fala com o time comercial da Adsplay, porque é a única forma de chegar a um valor que signifique alguma coisa.

O que muda no plano quando 86% dos compradores mudam a mensuração

Se a mensuração de performance está mudando, o relatório muda antes do plano. Três ajustes resolvem a maior parte do problema, e nenhum deles consome verba.

Separar a linha de impressão em IA generativa das impressões de busca, em vez de somar as duas em um número só.

Declarar no relatório que essa linha não tem clique, para que ninguém a compare com uma linha que tem, nem calcule taxa de clique em cima dela.

Fixar a fonte de cada número, com data e com país, antes de o slide chegar na frente do cliente. É o que impede que um percentual americano vire meta brasileira no trimestre seguinte.

Na primeira vez em que abri o relatório de IA generativa no Search Console, procurei a coluna de clique antes de ler a documentação. Ela não existe, e a documentação avisa logo no começo. Foram cinco minutos de leitura que teriam evitado meia hora de conversa errada.

O que dá para fazer nesta semana sobre otimizar conteúdo para respostas de IA

Confirme o acesso. O relatório de desempenho de IA generativa está disponível em qualquer propriedade verificada no Search Console desde 31 de agosto de 2026.

Filtre por Brasil e registre o volume de impressão dos últimos 28 dias. Esse número é o ponto zero da sua série.

Liste as páginas que aparecem e compare com as páginas que trazem clique na busca tradicional. A diferença entre as duas listas é a sua pauta de conteúdo do trimestre.

Leia a documentação do Google sobre recursos de IA antes de fechar o escopo de qualquer projeto de otimização para IA. São poucos parágrafos e eles dizem exatamente o que é requisito.

Escreva respondendo a perguntas de 23 palavras, com contexto e restrição dentro delas, em vez de escrever para palavras-chave de duas.

Otimizar conteúdo para respostas de IA não é um canal novo para entrar no plano de mídia. É a parte do trabalho de conteúdo que finalmente ganhou um relatório com nome, país e data.

Perguntas frequentes sobre otimizar conteúdo para respostas de IA

O que é otimizar conteúdo para respostas de IA?

Bruno Campos de Oliveira, COO da Adsplay Mídia e co-autor de "Mídia Programática de A a Z", trata otimização de conteúdo para respostas de IA como o trabalho de tornar uma página elegível a ser citada dentro de respostas geradas por sistemas como o AI Overviews e o AI Mode do Google. Segundo a documentação do Google atualizada em 10 de dezembro de 2025, não existe requisito adicional nem otimização especial para isso: valem os mesmos requisitos de indexação, rastreamento, utilidade do conteúdo e experiência de página que já valem para a Busca.

Existe alguma marcação ou arquivo especial para aparecer no AI Mode?

Não, segundo o próprio Google. A documentação de recursos de IA na Busca, atualizada em 10 de dezembro de 2025, afirma que não é preciso criar arquivos legíveis por máquina, arquivos de texto para IA ou marcação nova para aparecer nesses recursos.

Como saber se meu site aparece em respostas de IA do Google?

Pelo relatório de desempenho de IA generativa do Search Console, que cobre AI Overviews e AI Mode e está disponível para todos os sites do mundo desde 31 de agosto de 2026. O relatório permite filtrar por país, então dá para isolar o Brasil.

O relatório de IA generativa do Search Console mostra cliques?

Não. Ele mostra impressão, ou seja, quantas vezes um link do site apareceu dentro dos recursos de IA generativa. As dimensões disponíveis são página por URL canônico, país, data em horário do Pacífico e dispositivo, com o mesmo teto de mil linhas do relatório de desempenho da Busca.

O AI Mode funciona em português no Brasil?

Sim. O Google levou o AI Mode para o português do Brasil em 8 de setembro de 2025, junto com hindi, indonésio, japonês e coreano.

Quanto custa aparecer nas respostas de IA do Google?

Aparecer organicamente em uma resposta gerada não tem custo de mídia, porque não passa por compra de inventário. Comprar anúncio dentro de ambientes de IA é outra operação, e ali o preço se forma em leilão e varia por praça, formato, período e volume disputado. Para um plano específico, o caminho é levar o briefing ao time comercial da Adsplay.

Otimizar conteúdo para IA substitui investimento em mídia?

Não, porque resolvem problemas diferentes. Presença orgânica em resposta gerada depende de conteúdo e de base técnica, e o resultado aparece ao longo de meses. Compra de mídia entrega alcance na janela em que a campanha roda, e é onde entram os canais que estão fora da dupla Google e Meta, tratados em Mídias Alternativas.

Fontes

IAB, "2026 Outlook Study: September Update, A Snapshot of U.S. Ad Spend, Opportunities, and Strategies for Growth", 10 de setembro de 2026, com base em mais de 200 decisores de investimento de marca e de agência. Escopo: Estados Unidos.

Google, blog oficial, "AI Mode is now available in five new languages around the world", 8 de setembro de 2025.

Google Search Central, documentação "AI features and your website", atualizada em 10 de dezembro de 2025.

Google Search Central Blog, "Introducing Search Generative AI performance reports in Search Console", 3 de junho de 2026.

Central de Ajuda do Search Console, "Generative AI performance report (Search)", consultada em 19 de setembro de 2026.

Cadastra em parceria com Similarweb, "O Futuro da Busca: como a IA generativa está redefinindo o caminho até o consumidor", período de janeiro de 2023 a agosto de 2025, divulgado pelo Meio & Mensagem.

Previsible, "2026 State of AI Discovery Report", 6 de julho de 2026, com 6,77 milhões de sessões em 166 propriedades digitais entre novembro de 2024 e maio de 2026. Escopo geográfico não declarado no comunicado.

Bruno Campos de Oliveira é co-fundador e COO da Adsplay Mídia, co-autor de "Mídia Programática de A a Z" e professor convidado, com aulas na ESPM e na USP em 2026. Formado em Gestão de Marketing pela USP.

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